Sejam Bem Vindos! よろしくお願いします!

Olá pessoal, sejam bem vindos à esta página. Criei este blog para poder compartilhar com vocês algumas informações sobre a língua japonesa, além das minhas impressões acerca desse idioma, suas particularidades, as dificuldades enfrentadas pelos falantes de português do Brasil ao estudar o idioma japonês, e claro, alguns pontos comparativos com o português que considero muito interesssantes.

Sejam Bem Vindos!     よろしくお願いします!       リマ・マレイ marley de lima

quinta-feira, 23 de junho de 2011

CALENDÁRIO COMEMORATIVO DOS 80 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NA CIDADE DE NERÓPOLIS-GO


Resolvi postar este artigo, no blog sobre a língua japonesa, por acreditar que o desenvolvimento dos fatos após a emigração dos japoneses para Goiás é de grande relevância para entendermos a atual situação do uso da língua japonesa neste Estado.
marley lima

CALENDÁRIO COMEMORATIVO DOS 80 ANOS DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NA CIDADE DE NERÓPOLIS-GO*

 


Marley Francisca de LIMA
 (Centro de Pesquisas em Cultura Japonesa de Goiás-CPCJ)


ABSTRACT: The present task is result of a research realized between January and May 2010 by a group of investigators. It is part of a bigger project, planned by Professor Doctor Cecília Noriko Ito Saito, and titled “Collective Imagination: 80 years from Japanese immigration in Nerópolis”.

KEYWORDS: Japanese immigrants; Nerópolis-GO; Japanese immigration to Goiás.


1.Introdução
A pedido da Prefeitura da Cidade de Nerópolis foi elaborado no segundo semestre do ano de 2009, pela Professora Doutora Cecília Noriko Ito Saito, um projeto para a comemoração dos 80 anos da Imigração Japonesa em Nerópolis. Nesse projeto constava a organização de uma festa na Praça Central da Cidade, com exposição de fotos dos imigrantes, barraquinhas de comidas típicas, oficinas de origami, caligrafia japonesa, entre outros, assim como a elaboração de um material em memória dos imigrantes japoneses nessa cidade. Para esse trabalho, coordenado por mim, havia a sugestão da elaboração de um catálogo ou um calendário. No entanto, o grupo designado para a elaboração desse material interessou em trabalhar no desenvolvimento de um livreto. As reuniões para a elaboração desse trabalho iniciaram-se no dia 14 de janeiro de 2010 e logo em seguida começaram as entrevistas e coletas de dados. Após algumas entrevistas surgiram problemas de questões financeiras e o trabalho teve de ser suspenso por cerca de um mês. Ao retomar o trabalho, percebeu-se que o tempo, outrora curto para a realização do livreto, tornara-se impossível para a realização desse mesmo trabalho. Foi nesse momento que foi definido, em nova reunião, que o trabalho sofreria uma mudança de livreto para um calendário do ano de 2011, prevalecendo o mesmo conteúdo e sequência estabelecidos para o primeiro, ficando a ressalva de que posteriormente à elaboração do calendário seria retomado os trabalhos para a elaboração de um livro com o mesmo conteúdo. O trabalho do calendário foi concluído pelo grupo e entregue para a publicação promovida pela Prefeitura da Cidade de Nerópolis no final do mês de maio, para ser entregue na festa de Comemoração dos 80 anos da Imigração Japonesa nessa cidade, no dia 18 de julho de 2010. Para a realização desse trabalho foram utilizados instrumentos de pesquisas como: entrevistas com os primeiros imigrantes e/ou seus descendentes; entrevistas com moradores locais mais antigos; notas de campo; gravação em áudio; análise de documentos; e coletas de fotos antigas dos imigrantes. Para o trabalho de entrevista ficaram como responsáveis a jornalista Lorena Borges e o historiador Marcos Paulo de Melo Ramos, com o apoio do Designer Alexandre Rabelo para o registro fotográfico e de Marley Lima como contato entre o grupo e os entrevistados. Os historiadores João Paulo Silveira e João Patrício Araújo, assim como os demais participantes colaboraram nas entrevistas através de elaboração de perguntas. As entrevistas se davam de forma descontraídas com a participação de todos. Para a redação dos textos foi definido que cada um dos participantes escreveria um ou mais textos. Levando- se em conta o pouco espaço para a inserção dos mesmos foi definido que cada texto deveria conter cerca de 500 toques. Ficou como responsável pela uniformização e correção dos textos, a pesquisadora Tatiana Cavalcante. Ao longo de todo o período de pesquisa e elaboração, o trabalho foi submetido à Professora Doutora Cecília Noriko Ito Saito para avaliação e aprovação. O calendário foi dividido de forma que contasse a história dos imigrantes em ordem cronológica, ficando da seguinte forma:


Página
Conteúdo
1.Capa
Apresentação
3.Mês de janeiro
Japão
5.Mês de fevereiro
Vinda para o Brasil
7.Mês de março
Café em São Paulo
9.Mês de abril
História de Nerópolis
11.Mês de maio
O sonho da terra própria
13Mês de junho
O arroz e o feijão, as verduras e a feira
15.Mês de julho
Trabalho sem patrão
17.Mês de agosto
Iluminando a cidade
19.Mês de setembro
Encontro de famílias
21.Mês de outubro
Conseqüências da II Guerra Mundial
23..Mês de novembro
Flores aos Deuses e aos antepassados
25..Mês de dezembro
Educação
27.Pagina final
Agradecimentos e lista com nome dos colaboradores
Base do calendário

Créditos das fotos (parte inicial)
Calendário de 2012 (parte final)


O formato do calendário ficou assim dividido:
Base: 390x195mm, 4x0 cores em Supremo 350 g.; Miolo: 30 págs, 145x195mm, 4 cores em Couche Liso 145 g.; Corte/Vinco, com Wire-o, Plastificado=1 Lado(s) Base, Verniz UV Total=2 Lado(s) em todas as páginas.


2.História dos imigrantes japoneses em Goiás
Com base no trabalho de Mota (1992) e Saito & Mota (2008), em conjunto com as entrevistas com os imigrantes pioneiros, seus descendentes e os moradores locais mais antigos, pôde-se certificar alguns fatores muito interessantes acerca da presença dos imigrantes japoneses em Nerópolis, tais como: a influência dos mesmos nos hábitos alimentares locais, a cooperação no abastecimento de energia para a Cidade; a importância no surgimento da feira e do comércio local. Para melhor conhecimento desses dados será apresentado a seguir os textos originais publicados no calendário, juntamente com as fotos[1] referentes aos mesmos.

APRESENTAÇÃO[2]
Da chegada das primeiras caravanas de imigrantes japoneses à Colônia do Cerrado, atual Nerópolis, no início do século XX, até à contemporaneidade, inúmeros momentos marcaram a formação de um povo. Resgatar as lembranças desse trajeto intrincado e vitorioso tornou-se parte do cotidiano dos pesquisadores que participaram da produção deste trabalho. Diversas foram as descobertas que ocorreram espontaneamente no vislumbre das histórias guardadas nas imagens que, aqui, convidam-nos a uma cuidadosa apreciação. Parabéns, Nerópolis, pelos 80 anos da imigração japonesa! Prof.ª Dr.ª Cecília Saito.



JANEIRO – JAPÃO
A partir da segunda metade do século XIX, o Japão iniciou seu processo de modernização. E, em poucas décadas, a “Terra do Sol Nascente” tornou-se uma grande nação no contexto capitalista. Contudo, o crescimento econômico do país não conseguiu acompanhar o seu crescimento populacional. Tal impasse social levou muitos habitantes do arquipélago a cogitarem emigrar (sair da terra natal) em busca de melhores oportunidades no exterior. E, inevitavelmente, as mudanças econômicas acabaram forçando a saída de vários grupos de japoneses rumo a outros países. Destacou-se como destino inicial o Havaí, depois os EUA, o Brasil e o Peru.



FEVEREIRO - VINDA PARA O BRASIL[3]
 Em junho de 1908, o vapor Kasatu Maru atracou em Santos trazendo a primeira leva de imigrantes japoneses. Esses imigrantes esperavam permanecer por uns dez anos aqui e depois retornar ao Japão, o que não ocorreu. Principalmente porque as informações acerca do Brasil, no exterior, nem sempre correspondiam à realidade.
Apesar disso, a partir de 1930, a imigração nipônica no país tornou-se intensa. Talvez pelo fato de que as companhias de emigração japonesa responsabilizavam-se pela subvenção dos que aceitavam sair do Japão. Isso incluía não apenas o traslado dos japoneses, mas também a acomodação deles em colônias implantadas nas novas terras.



MARÇO - LAVOURAS DE CAFÉ EM SÃO PAULO
As primeiras levas de imigrantes japoneses foram recebidas com receio por governo e fazendeiros brasileiros. Mas também os imigrantes estavam receosos. Mal instalados em lavouras cafeeiras de São Paulo, depararam-se com idioma, costumes e hábitos alimentares estranhos aos seus. Não tardou para que a insatisfação dos japoneses com o salário que recebiam e com as condições em que viviam desencadeasse sérios conflitos com os fazendeiros. O que, não raro, culminava no rompimento do contrato firmado entre as partes.
Foram atraídos pelo sonho de cultivar café e por vantagens oferecidas por projetos governamentais goianos, que alguns desses desiludidos imigrantes chegaram a Goiás, por volta de 1930.


ABRIL - HISTÓRIA DE NERÓPOLIS[4]
A história de Nerópolis remonta ao final do século XIX, período em que o fazendeiro Joaquim Taveira estabeleceu-se na região, às margens do córrego Capivara.
Em 1898, a Matinha dos Taveiras, primeiro nome dado ao povoado, passou a chamar-se Campo Alegre. Anos depois, a instalação de um posto dos Correios no local e a existência de uma cidade homônima no Estado, exigiu que o antigo povoado agora elevado à categoria de vila, recebesse novo nome. Assim, em 1918, Campo Alegre passou a ser Cerrado.  Somente em 1936, a vila Cerrado tornou-se a cidade de Nerópolis.Foi quando Nerópolis ainda era a vila Cerrado que a colônia japonesa instalou-se ali, originando a designação Colônia do Cerrado.


MAIO – O SONHO DA TERRA PRÓPRIA
Quando chegaram à Colônia do Cerrado, no começo dos anos 1930, os japoneses buscavam terras férteis para o cultivo. Mas logo ficaram decepcionados com o que encontraram, já que as terras cedidas a eles eram impróprias para a produção agrícola.
Os resultados insatisfatórios das primeiras colheitas e uma forte geada na região acabaram de vez com o sonho de algumas famílias imigrantes que, por causa disso, partiram de Goiás rumo ao sul do país.
Os imigrantes japoneses que persistiram em atividades agrícolas no Estado plantaram café e arroz, principalmente. Contudo, o cultivo de hortifrutícolas foi o ponto forte da produção que era vendida na então vila do Cerrado, a atual Nerópolis. 


JUNHO – O ARROZ E O FEIJÃO, AS VERDURAS E A FEIRA
A alimentação goiana, até meados de 1930, era baseada no consumo de arroz, feijão, mandioca e milho. Mas, com a chegada dos imigrantes japoneses a Goiás, sensíveis mudanças ocorreram na gastronomia local. Assim aconteceu com Nerópolis!
No final da década de 1940, as famílias Massuda e Yoshida iniciaram a venda de verduras cultivadas nos arredores da cidade. A família Massuda montou uma banca próxima de onde hoje está o Grupo Escolar José Valente, e Torao Yoshida, por sua vez, logo deixou a venda ambulante da produção de suas hortas para firmar comércio em uma banca na praça da matriz, aos domingos pela manhã. Estavam lançadas, assim, as bases da tradicional feira de domingo de Nerópolis.


JULHO – TRABALHO SEM PATRÃO
Após inúmeras idas a Nerópolis para vender os produtos cultivados em suas fazendas, alguns japoneses decidiram estabelecer-se de vez na cidade. E o desejo de proporcionar melhores condições de vida à família e estudo às crianças foram as suas principais motivações para isso.
Já adultos, vários filhos de imigrantes decidiram criar suas próprias fontes de renda por não gostarem de trabalhar como empregados. Alguns deles, em vez de venderem frutas e verduras na feira, abriram lojas como os antigos “secos e molhados”, onde era possível encontrar de tudo um pouco. Para abastecer seus comércios, esses descendentes chegavam a viajar mensalmente para Minas Gerais e São Paulo.


AGOSTO - ILUMINANDO A CIDADE[5]
Foi apenas por volta de 1940 que Nerópolis recebeu o seu primeiro gerador de energia – movido a querosene -, que, mesmo usado somente por algumas horas no fim do dia, deixou a população deslumbrada. Mas, nos idos de 1949, o desgosto foi geral quando o gerador pifou. Para a sorte da cidade, havia lá um outro gerador de energia. Movido pela força da água, esse outro gerador havia sido construído por Kokichi Massuda para atender à sua propriedade rural e à sua serralheria (a primeira de Nerópolis!), cujo maquinário também era movimentado pela água. Logo, a pedido do Prefeito, o gerador de Kokichi passaria a abastecer a cidade com sua energia até que o outro, de querosene, voltasse a funcionar.


SETEMBRO – ENCONTRO DE FAMÍLIAS
Mesmo morando em fazendas vizinhas, algumas famílias japonesas normalmente passavam meses sem se verem. Suas crianças, entretanto, mantinham contato frequente entre si, já que estudavam todas no Grupo Escolar José Valente, na zona urbana de Nerópolis.
Mas isso não quer dizer que os pais dessas crianças nunca se encontrassem. No começo de cada ano, as famílias japonesas que moravam nos arredores da cidade seguiam uma tradição trazida do Japão: visitavam a casa uns dos outros levando consigo comidas orientais típicas para o encontro. Aqueles que recebiam as visitas também tinham a mesa repleta. E essa troca de cumprimentos pelo ano que começava prosseguia por todo o mês de janeiro.


OUTUBRO – CONSEQUÊNCIAS DA II GUERRA MUNDIAL
Durante a II Guerra Mundial, os japoneses que estavam no Brasil sofreram represálias devido ao posicionamento do Japão no cenário político internacional. Considerados suspeitos, eles não podiam viajar sem autorização ou andar em grupos.
Um dos imigrantes mais antigos de Goiás relembra um episódio, ocorrido nesse período, quando o prefeito de Anápolis resolveu convidar várias famílias japonesas para uma reunião. Segundo ele, ao chegarem à cidade, as famílias hospedaram-se juntas na mesma pousada e acabaram presas. Foi preciso uma intervenção do anfitrião para que o grupo fosse liberado.
Na mesma época, os japoneses também foram obrigados a entregar as armas que possuíam ao governo brasileiro. 

NOVEMBRO - FLORES AOS DEUSES E AOS ANTEPASSADOS
A religião japonesa – fruto do rico sincretismo entre Xintoísmo e Budismo – crê que, ao nascer, o homem recebe o michi (“Caminho”), sua “missão na Terra”. Segundo esse princípio, é por meio da força de vontade, do exercício da virtude e da busca por sabedoria na realização de seu michi que o homem aproxima-se da Pureza e da Plenitude. Nesse percurso, ele precisa reconhecer que a natureza deve ser respeitada e reverenciada.
Para os japoneses, também merecem respeito os antepassados. Estes são reverenciados em cultos domésticos realizados em pequenos altares nos quais há oferta de alimentos e flores a eles e aos Deuses – tradição japonesa mantida em algumas famílias de descendentes brasileiros.




                              
DEZEMBRO – EDUCAÇÃO[6]
Os japoneses dão muita importância à educação. Por isso, existe entre eles o seguinte lema: “Benkyō wa shigoto” (“Estudo é trabalho”). Esse cuidado com a educação dos filhos sempre foi notável nos imigrantes que vieram para a cidade de Nerópolis. Seus filhos estudaram primeiramente na escola da zona rural e, depois, no Grupo Escolar José Valente, localizado na zona urbana da cidade.
Finalizada a etapa de estudos no Grupo Escolar José Valente, alguns imigrantes enviaram seus filhos para continuarem a carreira escolar na cidade de Goiânia. Nessa época, muitas famílias deixaram a cidade de Nerópolis e mudaram-se para Goiânia em função da continuidade dos estudos de seus filhos. 


3.Conclusão
Apesar do pouco tempo para a elaboração desse trabalho, concluímos que foi possível inserir em pequenos textos e algumas imagens o resgate da memória dos imigrantes japoneses que direta e indiretamente colaboraram para a história da Cidade de Nerópolis. Espera-se, a partir de agora, poder dar continuidade à pesquisa para a elaboração do livro em memória a esses mesmos imigrantes, podendo assim deixar registrado nas bibliotecas escolares a influência da comunidade japonesa no Estado de Goiás.

RESUMO: O presente trabalho é resultado de uma pesquisa realizada durante os meses de janeiro a maio de 2010, por um grupo de pesquisadores, para compor o projeto elaborado pela Profª. Drª. Cecília Noriko Ito Saito, intitulado de “Imaginário Coletivo: 80 anos da imigração japonesa em Nerópolis”.

PALAVRAS-CHAVES: Imigrantes japoneses; Nerópolis-GO;  imigração japonesa para Goiás.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

GOIÁS, Associação Nipo-Brasileira (org.); MOTA, Fátima Alcídia Costa (Org.); SAITO, Cecília Noriko Ito (Org). Meia volta ao mundo: Imigração Japonesa em Goiás. 1ª. ed. Goiânia-GO: ANBG, 2008. v. 1. 240 p.
HANDA, Tomoo. O imigrante japonês: História de sua vida no Brasil. São Paulo: T. A. Queiroz: Centro de Estudos Nipo-Brasileiros,  1987.
MOTA, Fátima Alcídia Costa. Imigração japonesa em Goiás: a colônia ou a ilusão do Cerrado? 1992. 227 f. Dissertação (Mestrado em História) – Departamento de História , Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 1992.
MAGALHÃES, Sonia Maria de. Alimentação, saúde e doenças em Goiás no século XIX. Tese (Doutorado em História) – Universidade Estadual Paulista, Franca, 2004.



* Este trabalho foi realizado por um grupo de 8 pessoas, a partir do projeto da Comemoração dos 80 anos da Imigração Japonesa na Cidade de Nerópolis elaborado pela Profª. Drª. Cecília Noriko Ito Saito. Os pesquisadores que colaboraram para que este projeto pudesse ser realizado foram: Alexandre Rabelo Silva – Designer Gráfico e Diagramador; Cecília Noriko Ito Saito – Professora Doutora em Artes; Lorena Borges – Jornalista e Professora Universitária; João Patrício Araújo – Professor de História; João Paulo Silveira – Professor Mestre em História; Marcos Paulo de Melo Ramos – Professor Mestre em História; Marley Francisca de Lima – Professora de Língua Japonesa e Língua Portuguesa, e Bacharel em Lingüística; Tatiana Cavalcante – Professora Mestre em Linguística e Revisora.

[1] As fotos foram selecionadas a partir de inúmeras fotos cedidas por descendentes dos imigrantes pioneiros.

[2] Com exceção das fotos referentes aos meses de fevereiro, abril e agosto, as demais foram cedidas por Mauro Yoshida.
[3] Foto cedida por Jorge Sano.
[4] Foto cedida por Eva Maria de Moraes.
[5] Foto cedida por Lorena Borges.
[6] A escolha para o tema ‘Educação’ ser apresentado no mês de dezembro se deve ao fato de que a educação formal dos filhos foi o principal motivo que incentivou os imigrantes a deixarem a Cidade de Nerópolis. 

Fonte: Arquivo pessoal (2010)

Obs.: Este artigo foi escrito após apresentação deste trabalho no VIII Congresso Internacional de Estudos Japoneses no Brasil / XXI Encontro Nacional de Professores Universitários de Língua, Literatura e Cultura Japonesa, quando então representei, em nome do Centro de Pesquisa em Cultura Japonesa de Goiás (CPCJ),  o grupo responsável pela elaboração do calendário.
Obs.2: Infelizmente houve falha na correção da língua japonesa por minha parte, e deixei passar a inversão dos dias da semana em japonês, que deveriam começar a contagem na segunda-feira e não no domingo. A parte dos mesmos, em português, estão em ordem correta.


sábado, 18 de junho de 2011

Uso de HORA + VERBO

Para o tema de hoje apresentarei o uso de verbo acompanhado de horas. Como exemplo, usaremos os seguintes verbos:
おきます
Okimasu
Acordar
ねます
Nemasu
Dormir
はたらきます
Hatarakimasu
Trabalhar
やすみます
Yasumimasu
Descansar; folgar; faltar
べんきょうします
Benkyō shimasu
Estudar
おわります
Owarimasu
Terminar


Gostaria de lembrar que os verbos em língua japonesa são flexionados afirmativa e negativamente, tanto no tempo presente/futuro como no tempo passado.
Presente/futuro
Passado
Afirmativo
Negativo
Afirmativo
Negativo
-masu
-masen
-mashita
-masen deshita


Para expressar o horário em que uma ação/ação  será/foi realizada, usaremos a seguinte estrutura:
________________は  __() に       ます/ました

______wa __ji  ni  __ masu/mashita


No primeiro espaço coloca-se sobre o que se fala.
No segundo espaço o horário que isso acontece.
No terceiro espaço o verbo flexionado no tempo determinado.
As partículas apresentadas nessa estrutura tem a seguinte função:
WA = indica sobre o que se fala.
NI = faz a ligação entre o horário e o verbo (sempre que usar hora+verbo usa-se a partícula “ni”, após a hora e antes do verbo)
O sufixo “JI” é indicador de hora (em caso de hora que apresenta o minuto, usaremos da seguinte forma: __時__分 → ___ ji____pun/fun).

Vejamos alguns exemplo usando a estrutura “hora + verbo”:
__________は 6時に おきます。
Watashi wa 6ji ni okimasu.
Acordo às 6 horas.


Caso queira especificar que o fato ocorreu ontem, hoje ou ocorrerá hoje ou amanhã, a palavra corrrespondente poderá vir no início da frase.
きのう __________は 6時に おきました。
Kinō  watashi wa 6ji ni okimashita.
Ontem acordei às 6 horas.
Nesse exemplo o verbo foi flexionado no passado .

Para expressar o início e o término de determinada atividade usa-se “から=kara “ (para o horário inicial) e  まで=made”( para o horário final = até).
________________(())から__(())まで     ます
______________wa __(ji)kara __(ji)made     masu

Watashi wa 8ji kara 6ji made hatarakimasu.
Trabalho das 8 às 6.

Também podemos expressar somente o horário inicial ou o horário final.

________________(())から      ます
______________wa __(ji)kara     masu

Watashi wa 8ji kara hatarakimasu.
Trabalho a partir das 8.

________________(())から__(())まで     ます
______________wa ____(ji)made     masu
Kinō yoru 10ji  made benkyō shimashita.
Ontem estudei até às 10 da noite.

Nesse exemplo apresentamos dois novos fatores:
 1) A ausência do autor da ação, pois em japonês pode-se omitir o autor da ação em caso de ser o próprio falante. Em língua portuguesa também podemos omitir, no entanto, percebemos através da pessoa do verbo quando o autor da fala é o próprio autor da ação (ex.: “Ontem estudei até 10 da noite”. No entanto, em língua japonesa o mesmo não é possível de acontecer, uma vez que o verbo não é flexionado quanto à pessoa, assim como também não é flexionado quanto ao número.
2) A inserção do período de tempo relativo à parte do dia “yoru=noite”, que é apresentado sempre antes da hora, oposto ao que acontece na língua portuguesa (ex.: Yoru 10ji  → yoru= noite ; 10ji= 10 horas).


Para fazer pergunta basta acrescentar a partícula “ka” ao final da frase, e claro o pronome de interrogação para horas.

きのう なんじ に おきました
Kinō nanji ni okimashitaka.
Que horas você acordou ontem?


Fonte: Arquivo pessoal (2004,2011).